Giro d’Itália: Nibali renasce em Risoul, Chaves é o novo líder

Nada como um dia após o outro! Nibali, o atleta mais massacrado pela imprensa nesta edição do Giro, mostrou que não é à toa que ele venceu Tour, Giro e Vuelta. Hoje, em Risoul, cidade encravada nos alpes franceses, ele mostrou que não só está de volta, mas que veio mais forte do que nunca.

A etapa foi marcada pela queda do líder Steven Kruijswijk (LottoNL-Jumbo), que caiu feio na descida do Cima Coppi (ponto mais alto do Giro) ao se descuidar em uma curva com gelo nas laterais e teve que trocar de bike. Ao final do dia perdeu quase 5 minutos e caiu para a terceira colocação geral, à 1min05seg de Esteban Chaves (Orica-GreenEdge), que assume a Maglia Rosa, um orgulho para nós sul-americanos, principalmente para os Colombianos.

O pódio:

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27-05-2016 Giro D'italia; Tappa 19 Pinerolo - Risoul; 2016, Orica Greenedge; Chaves Rubio, Johan Estaban; Risoul;
O colombiano Esteban Chaves e sua nova camisa rosa de líder, ele merece!

Como a etapa se desenvolveu

Uma etapa brutal esperava os atletas hoje, com apenas duas montanhas, mas eram DUAS MONTANHAS! Uma delas o ponto mais alto do Giro, que é o Colle Dell´Agnello, com grau máximo de dificuldade (HC), chegando a 2744m de altitude! A outra é a própria cidade de Risoul, situada em território francês e com categoria 1, a 1862m. Esta bela cidade francesa, encravada nos alpes, é conhecida de Nibali, foi ali que ele carimbou sua vitória no Tour de 2014, no mesmo dia em que Rafal Majka (Tinkoff-SaxoBank) venceu a etapa e aumentou sua vantagem na vitória da categoria de montanha daquele Tour de France.

Apesar de Nibali ter sido o atleta mais agressivo do dia, foi a Orica-GreenEdge que iniciou as hostilidades do dia ainda faltando mais de 60 km para o final. Dois gregários da equipe foram à frente e levaram o grupo do líder ao máximo. Quando o último gregário deixou o grupo, Chaves assumiu, forçou o ritmo e, nesse momento, somente Kruijswijk e Valverde o acompanharam.

Esteban Chaves estava em seu habitat natural hoje, montanhas e altitude elevada.
Esteban Chaves, Kruisjwijk e Valverde, logo após seu primeiro ataque. O colombiano estava em seu habitat natural hoje, montanhas e altitude elevada.

Mas ainda havia muita subida pela frente e, sem gregários, os três foram sendo alcançados pelo grupo que vinha atrás, com Uran, Zakarin, Majka, Nibali, Jungels, Pozzovivo e mais um ou outro gregário.

Na liderança da prova Scarponi tinha sua diferença diminuída com os ataques, mas ainda girava em torno de 5 minutos.

Faltando pouco mais de 50 Km pro final, ainda longe do ponto mais alto da montanha, Chaves acelerou novamente e dessa vez quem o acompanhou foram Nibali e Kruijswijk, Valverde e Zakarin tentavam, mas começavam a ficar…Nibali percebendo a deficiência de Valverde e pensando na briga pela Geral foi a frente e começou a puxar. Nibali parecia muito bem e levava com vontade montanha acima.

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Nibali com Chaves e Kruisjwijk, perto do Cima Coppi.

Os 3 chegaram ao Cima Coppi já com quase um minuto de vantagem para o grupo de Valverde. E foi logo no inicio da descida que Kruijswijk caiu. A queda só não foi pior devido a neve e por muita sorte a bicicleta não ficou avariada. Após alguns instantes Kruijswijk arrumou, com a ajuda de um mecânico, e voltou para cima dela, tentando não perder mais tempo.

Logo depois o carro da Lotto chegou e ele resolveu trocar a bicicleta para evitar qualquer problema futuro. Porém, para azar dele, talvez essa decisão possa ter sido mais prejudicial do que a própria queda: No momento em que ele trocava a bike passou por ele o grupo com Valverde e outros candidatos ao Top 5….o holandês voltou pra prova, mas encontrava-se sozinho e na frente vários grupos de adversários trabalhando juntos.

Tudo ficou ainda pior para Kruijswijk quando o grupo Nibali/Chaves pegou Ruben Plaza, gregário de Chaves e mais pra frente Scarponi, então líder da prova, que diminuiu o ritmo, esperou e se juntou ao grupo para ajudar o líder da equipe Nibali. O gregário da Orica fez um belo trabalho no plano e depois, ao entrar na ultima subida, Scarponi botou um ritmo alucinante, fazendo com que a distancia entre eles e os perseguidores aumentasse bastante.

Mais tarde, quando Scarponi não mantinha mais o ritmo, Nibali arrancou, sendo seguido por Chaves e logo depois Nieve (Sky), que tentava de todas as formas ganhar a etapa. O tubarão estava impossível e, mesmo com a chegada de Chaves, não diminuiu o ritmo. Mais alguns metros e outro ataque de Nibali e dessa vez Chaves não teve como seguir. Nibali, então, ao perceber a não consistência do colombiano, apertou e abriu. Ao cruzar a linha de chegada, com mais de 50 seg. de vantagem para Chaves, Nibali caiu no choro, deixando extravazar a pressão e todo o sofrimento acumulado nestas 3 semanas de competição, foi uma vitória merecida.

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O holandês Steven Kruijswijk lutou bravamente após o tombo, mas, após fazer um esforço tremendo na parte plana que levava à última montanha do dia, ele pregou completamente, chegando arrasado. E isso não é por menos, a vitória do Giro estava em suas mãos e escapou por um vacilo em uma curva. Sempre no esporte torcemos para que vença o melhor, o mais bem preparado ou aquele que teve a melhor estratégia, ver Kruijswijk perder a liderança e o Giro assim é simplesmente lamentável. Ainda teremos o dia de amanhã e com tantas reviravoltas tudo pode acontecer. O ciclismo é apaixonante devido a essas situações imprevisíveis.

Uma outra má notícia foi a queda do russo, Ilnur Zakarin (Katusha), quinto colocado geral e em grande ascenção na prova, caiu feio, também na descida do Cima Coppi, e acabou quebrando a clavícula e infelizmente está fora do Giro.

Chaves com a Maglia Rosa pela primeira vez

Grande orgulho para todos os sul-americanos, o escalador de Bogotá, Esteban Chaves, finalmente veste a camisa de líder deste Giro d’Itália. Ele que foi quinto colocado na Vuelta 2015 e venceu uma etapa neste Giro, tinha tudo para brilhar na etapa de hoje. Ele está acostumado a esse tipo de terreno, com montanhas e altitude elevada, e fez o prometido ao participar da fuga com Nibali que explodiu a prova. Chaves contou com o apoio crucial de Ruben Plaza, contratado esse ano pela equipe para justamente ajudar Chaves nas montanhas mais duras do Giro, e deu certo.

Esteban Chaves recebendo a camisa rosa de líder do Giro 2016.
Esteban Chaves recebendo a camisa rosa de líder do Giro 2016.

Isso é uma alegria enorme para todos os colombianos e também para nós brasileiros, amantes do ciclismo.

Classificação geral pós etapa:

1. co
CHAVES RUBIO Johan Esteban
Orica GreenEDGE
78:14:20
2. it
NIBALI Vincenzo
Astana Pro Team
0:44
3. nl
KRUIJSWIJK Steven
Team LottoNL – Jumbo
1:05
4. es
VALVERDE Alejandro
Movistar Team
1:48
5. pl
MAJKA Rafał
Tinkoff
3:59
6. lu
JUNGELS Bob
Etixx – Quick Step
7:53
7. cr
AMADOR Andrey
Movistar Team
9:34
8. co
URAN Rigoberto
Cannondale Pro Cycling Team
12:18
9. by
SIUTSOU Kanstantsin
Dimension Data
13:19
10. it
POZZOVIVO Domenico
AG2R La Mondiale
14:11

Veja todos os resultados aqui!

Amanhã tudo pode acontecer

A hora da grande final já tem data e horário marcado: amanhã (28/05/2016) acontece a última etapa que realmente pode mudar a classificação geral. A etapa, em sua maior parte, será disputada em território francês, somente no final voltamos ao solo italiano. Teremos 4 montanhas ao longo do dia e, no final delas, teremos o vencedor, o grande campeão do Giro d’Itália.

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Mapa altimétrico da etapa de amanhã.

Nibali vem com tudo, Astana armada até os dentes para derrubar nosso pequeno colombiano com coração de leão. Chaves vai ter que mostrar que não é à toa que está com a camisa rosa e a Oric-GreenEdge tem, talvez uma das maiores batalhas para enfrentar desde a criação do time. Será um dia inédito.

Vídeos

Confira os melhores momentos da etapa:

Entrevista de Nibali, pós Etapa:

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