Giro d’Itália: Taramae vence a etapa e Nibali é o Maglia Rosa

Saiba como!

A penúltima e decisiva etapa do Giro d’Itália teve mais um show de estratégia da equipe Astana que trilhou a vitória geral de seu líder Vincenzo Nibali. O então Maglia Rosa, Esteban Chaves (Orica-GreenEdge) pouco conseguiu fazer contra uma esquadra tão empenhada e quando Nibali começou às hostilidades, no final da penúltima subida, ele logo demonstrou sinais de cansaço, cortou “de roda” do Tubarão Nibali, que continuou sozinho, dando a resposta na pista a todos aqueles que não acreditavam mais na sua volta por cima.

A vitória da etapa ficou com o talentoso Rein Taaramae (Katusha) que fez parte de um forte grupo que escapou no início da etapa, com Darwin Atapuma (BMC), que foi, mais uma vez, segundo, e o americano Joe Dombrowski (Cannondale), que terminou em terceiro.

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Taaramae ao cruzar a linha de chegada.

Como a etapa se desenvolveu

Uma etapa incrível para ciclistas que possuem sangue frio, muita confiança e experiência. É assim que podemos definir a etapa de hoje.

Com a maior parte do trajeto sendo disputado em solo francês, em estradas onde geralmente acontece o Tour de France, o Giro se encarregou de colocar, nessa penúltima etapa, montanhas mais duras, que finalmente colocariam à prova qual, realmente, seria o ciclista mais forte da competição.

A largada foi a todo vapor e com poucos quilômetro de prova o pelotão já começou a se despedaçar. Uma fuga com vários atletas escaladores se formou logo no inicio, eram eles: Mikel Nieve (Team Sky), Joe Dombrowski (Cannondale), Stefan Denifl (IAM), Tanel Kangert (Astana), Damiano Cunego (Nippo Vini Fantini), Giovanni Visconti (Movistar), Darwin Atapuma (BMC) e, mais tarde, Gianluca Brambilla (Etixx-QuickStep) que se juntou pouco antes da penúltima montanha do dia.

Ao chegar na penúltima montanha da prova, o Colle della Lombarda, saindo do solo francês e entrando em solo italiano, Atapuma atacou, levando com ele Domborowski e Visconti, isso com mais de 25km para a chegada. Taaramae ficou no grupo de trás e veio tirando o tempo. Ao final da subida ele conseguiu encostar nos três ponteiros e assim formou-se um forte grupo, com Mikel Nieve (Sky) um pouco mais atrás.

Taaramae demonstrava ser o mais forte do grupo, girava com calma nas rampas 10-12% na brutal subida italiana.

No grupo da geral, Nibali era escoltado por Scarponi e Fuglsang que colocavam um ritmo insano, fazendo o pelotão se quebrar em pedaços, só restando apenas os 8 ciclistas mais fortes da prova.

Scarponi continuou como uma máquina elétrica até que, faltando 12km para o final, Nibali acelerou forte e apenas Valverde e Chaves responderam. Nibali não parou, ao vê-los em sua roda ele apertava cada vez mais. Em segundos Chaves deu sinal de fraqueza e viu Nibali abrir, 3, 4, 5…10 metros. Nibali seguia em um ritmo fortíssimo e pra melhorar ainda mais, e piorar para Chaves, Tanel Kangert (Astana), que estava na fuga, o esperava para ajuda-lo a abrir ainda mais tempo. A tática da Astana brilhava e o italiano, ao mesmo tempo que se recuperava na roda de seu gregário abria mais tempo. Logo depois de alguns metros Nibali partiu novamente em ataque solo.

Chaves a cada pedalada demonstrava estar em um dia ruim, via seus adversarios passando e não tinha pernas para acompanhá-los. Valverde foi um deles, ele largou Chaves e seguiu firme na perseguição de Nibali. Rigoberto Uran (Cannondale), que tentava dar ritmo ao compatriota, acabou indo embora também, junto com Valverde e Chaves acabou se juntando ao grupo de Jungels que era bem mais lento.

Após a monumental subida, veio a descida. Os ciclistas iam com cuidado (depois da etapa de ontem, todo cuidado é pouco!), foi uma descida longa e técnica, com curvas fechadas e estreitas. Ao entrar na última subida, de apenas 2km, Taaramae conseguiu se distanciar de seus companheiros de fuga e veio escapado para a vitória, comemorando muito na linha de chegada.

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Nibali ao cruzar a linha de chegada

Nibali pedalava como se fizesse um contra-relógio, na descida parecia um mágico: as curvas contorcidas eram pinceladas pelo “tubarão” italiano, ninguém poderia mais detê-lo.

Faltando 50 metro, ele pedalava em pé, tentando aumentar o máximo possível a diferença para Chaves. Ele cruzou a linha e ficou na expectativa, mas Chaves, por sua vez, não conseguia demonstrar reação e bem antes de cruzar a linha Nibali já era dado como o novo e derradeiro Maglia Rosa. Que final!

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Nibali sendo cumprimentado por familiares de Esteban Chaves.

Veja como ficou a classificação:

1. ee
TAARAMäE Rein
Team Katusha
04:22:43
2. co
ATAPUMA HURTADO John Darwin
BMC Racing Team
0:52
3. us
DOMBROWSKI Joe
Cannondale Pro Cycling Team
1:17
4. es
NIEVE Mikel
Team Sky
4:12
5. ru
FOLIFOROV Alexander
Gazprom-RusVelo
4:36
6. it
NIBALI Vincenzo
Astana Pro Team
6:44
7. es
VALVERDE Alejandro
Movistar Team
6:57
8. co
URAN Rigoberto
Cannondale Pro Cycling Team
9. it
VISCONTI Giovanni
Movistar Team
7:47
10. pl
MAJKA Rafał
Tinkoff
8:06

Classificação geral pós etapa:

1. it
NIBALI Vincenzo
Astana Pro Team
82:44:31
2. co
CHAVES RUBIO Johan Esteban
Orica GreenEDGE
0:52
3. es
VALVERDE Alejandro
Movistar Team
1:17
4. nl
KRUIJSWIJK Steven
Team LottoNL – Jumbo
1:50
5. pl
MAJKA Rafał
Tinkoff
4:37

Assista os kilometros final da prova:

Entrevista com Nibali, pós etapa:

Amanhã apenas confraternização e uma chegada alucinante no final

Como acontece em todo Gran Tour, no último dia ninguém ataca o líder. Sendo assim, é dia de comemorar, só de se estar terminando um Giro é um motivo de grande comemoração. Teremos Murilo Fischer (FDJ) terminando mais um Giro, o ciclista é o único brasileiro  a competir no nível mais alto do ciclismo mundial.

Assim, amanhã teremos muita champanhe em terras distantes do Cazaquistão, que provavelmente haverá igualmente uma grande quantidade! Nibali traz mais um título de Gran Tour para a Astana, que venceu Giro e Vuelta ano passado com Fabio Aru. Nibali deve voltar seus olhos para as Olimpíadas do Rio, prova com circuito que privilegia suas habilidades, estaremos acompanhando, não perca!

Agradecemos a todos que nos acompanharam durante essas três semanas intensas, mas para apaixonados do bom ciclismo, foram as melhores semanas do ano. Que venha o Tour!

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