Atletas pagavam para terem contrato na Itália – investigação apura suspeitas

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Em pleno século 21, ainda existem problemas que há séculos estão entremeados na sociedade, e no que diz respeito aos direitos humanos e trabalhistas, quanto mais o tempo passa, parece que se torna mais difícil eliminar as suas raízes. Na Itália, um dos países com maior tradição esportiva, seja no ciclismo, seja em outros esportes, é inacreditável que algo tão impressionante ainda possa ocorrer.

São apuradas várias suspeitas pelas autoridades italianas, de que seus atletas estariam tendo que pagar para poder conseguir contratos dentro de algumas equipes. A investigação “pay to race” (pague para correr) continua tentando auxiliar as vítimas desse esquema, em um momento em que o ciclismo italiano passa um período em que forma poucos talentos, quando comparado com potências como França e Bélgica, e em vista do que a Itália já foi no ciclismo, pode-se dizer que há um certo retrocesso, e este esquema de corrupção esportiva ajuda a agravar o quadro.

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O campeão olímpico Elia Viviani (Sky) está entre os atletas que tiveram que pagar para se tornar profissional na Itália (Tim De Waele).

Estariam acusados alguns chefes de equipe e técnicos das equipes Southeast, Bardiani e Androni, que exigiam dos atletas um pagamento em dinheiro para poder competir pelas cores da equipe. A proposta era clara, a equipe contratava apenas 5 bons atletas que dariam bons resultados, e completava seu plantel com esquemas de corrupção interna. Na última semana, os técnicos das referidas equipes foram inocentados, eram eles Bruno Reverberi, Angelo Citracca and Gianni Savio, que são muito conhecidos no esporte e com grande experiência e assim não serão punidos. Mas, a investigação continua.

Um caso que chamou a atenção foi o do campeão olímpico Elia Vivianni, que atualmente corre pela Sky e que, entre alguns outros atletas italianos, teve que pagar para se tornar profissional.

Um agente, que quis permanecer anônimo e foi entrevistado pelo site gringo CyclingNews, afirmou que a maioria dos seus 15 atletas trabalha neste sistema e paga entre 25 mil e 50 mil euros para ter contrato assegurado a cada temporada. A UCI apura os casos e também é investigada, por suspeita de ser conivente com a situação que, conforme apurada pela investigação italiana, é um problema sistêmico. “Às vezes é a própria família ou amigos que pagam a quantia necessária, para que o jovem atleta não perca a oportunidade, isso é algo muito ruim para o esporte”, afirmou o agente.

Um jovem talento italiano, Matteo Mammini, entrevistado pelo jornal italiano Corriere della Sera, afirmou que foram pedidos 50 mil euros para que ele se tornasse profissional na temporada de 2012, ele fez um empréstimo no banco, mas ficou com receio de aceitar a proposta e abriu uma cafeteria. Mammini foi campeão italiano de contra-relógio sub-23, quarto no campeonato Europeu em 2012 e sexto no mundial Sub-23 no mesmo ano. Ele não se tornou profissional.

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