Por que há tanta demora na investigação do doping de Froome?

Desde o dia 13 de dezembro, quando foi divulgado que Chris Froome teria testado positivo para o uso, acima do permitido, de salbutamol que a investigação do caso se arrasta começando a causar estranhamento e preocupação.

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A demora se dá por uma série de fatores. O principal desses fatores é porque Chris Froome e o Team Sky dizem que o uso foi dentro do permitido pelas regras.

O salbutamol apresenta desafios para os especialistas em antidoping.  Ao contrário de outras substâncias bem conhecidas, como o EPO ou o GH (hormônio do crescimento) que são totalmente proibidas, o salbutamol inalado, é permitido até uma determinada quantidade, e essa quantidade pode ser afetada por uma série de fatores, desde os níveis de meio ambiente e hidratação até mesmo a genética do atleta que fez uso do medicamento. Foi o que explicou Matthew Fedoruk, Ph.D., Diretor Sênior de Ciência e Pesquisa da Agência Antidopagem dos Estados Unidos (USADA) para a imprensa americana.

“Cada organismo processa de uma forma os medicamentos”. Segundo Fedoruk há muitos fatores que podem explicar o por que Froome teve dados elevados de salbutamol em seu organismo. E isso pode acontecer mesmo que Froome tenha se medicado dentro do limite permitido.

“Tudo, desde os níveis de hidratação até o uso de medicamentos anteriores”, disse Fedoruk.

O caso vem sendo investigado pela UCI, mas algumas questões foram apresentadas por Fedoruk:

Ele estava usando esse medicamento várias vezes nos dias e nas horas que antecederam o teste?

A quantidade residual de medicação em seu sistema estava abaixo do limite e então ele usou uma dose alta e logo depois foi testado resultando níveis acima do limite?

São esses pequenos detalhes que a UCI deve estar investigando.

Salbutamol é um medicamento que ajuda a abrir as vias aéreas de asmáticos, é permitido pelas regras quando inalado (e apenas por inalação) com uma dose máxima de 1.600 microgramas durante 24 horas, não excedendo 800 microgramas a cada 12 horas. Essa quantidade é quantificada pela presença do medicamento em testes de urina com um excesso de 1.000 nanogramas por mililitro.

Porém, alguns estudos recentes mostram que, mesmo depois de tomar doses permitidas do medicamento, alguns atletas excederam o limite em testes feitos.

Foram esses os resultados, por ex., de um estudo feito, em 2015, por cientistas da Dinamarca e da Noruega. Segundo o trabalho, alguns atletas podem testar acima do limite do uso para o salbutamol devido a carga de exercícios e a desidratação do atleta. Veja o estudo aqui.

São resultados de trabalhos como este que levantam questões importantes para o caso de Froome.

Resta a Froome demonstrar porque o seu resultado deu adverso e a UCI aceitar a defesa. Quem sabe depois de conseguir essa vitória Froome possa voltar a viver com um pouco mais de cores.

Lembrando que seu resultado foi 2x maior que o limite permitido. 100% a mais!

Quer saber mais sobre isso: https://sportsscientists.com/2017/12/brief-thoughts-froomes-salbutamol-result/

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