Afinal, quem é a ROTOR e o que é o grupo 1×13 Hidráulico

Saiba como!

Desvendamos todas – ou quase todas – as dúvidas sobre a empresa espanhola que vem dando a cara às gigantes do ramo de componentes de bicicletas.

Se você é supersticioso, cuidado! Esse é um post a favor dos gatos negros, escadas na calçada e claro, o número 13. Mas logo falaremos mais sobre o 13, primeiro explicaremos um pouco mais sobre a empresa que começa a soar fortemente no universo WT frente a Shimano, Sram e Campagnolo.

Imagens cedidas gentilmente pela ROTOR/Espanha.

Texto enviado para nossa edição pelo mecânico da ROTOR em Madri: Eric Vinícius.

Rotor é uma empresa espanhola localizada mais precisamente em Ajalvir, uma pequena cidade a pouco mais de 30km de Madrid. A empresa foi fundada com uma invenção no mínimo prática: os pratos ovais. O dono dessa inquietude e criador da invenção que elimina os pesos mortos durante um giro do pedivela foi o engenheiro aeronáutico Pablo Carrasco que, juntamente com Ignacio Estellés, começou a dar forma a um sonho com patentes e uma linha de produção em 1994.

A ideia dos pratos ovais consiste em que, segundo Pablo, eliminando o ponto morto na pedivela no momento que se encontra nas posições de 180º e 360º. Isso acontece devido à ovalização dos pratos, onde a parte mais estreita está onde a pedalada é mais débil e a mais larga onde é aplicada a maior força nos pedais.

Essa ideia, pouco a pouco, foi ganhando espaço no pelotão até que, em 2008, Carlos Sastre venceu o Tour de France com os tais pratos ovalados.

Seguindo a ideia da história da empresa, essa vitória no Tour fez com que a ROTOR alçasse voos mais e mais altos com produtos como: medidores de potência, eixos, cubos, movimentos centrais, pedivelas e, agora, o famoso grupo 1×13 hidráulico.

A ROTOR foi um pouco mais além do “simples” grupo hidráulico lançado previamente ao 1×13 e realmente foi um belo cartão de entrada aos grupos já conhecidos no mercado, ainda que, pelo menos aqui no Brasil, não ouvimos e nem vemos tanto sobre esse grupo que, apesar de ser hidráulico, foi usado em competições do WT feminino com a equipe WNT/Rotor Pro Cycling.

Agora deixemos as superstições pra lá e vamos ao que interessa: 1×13 Hidráulico.

O 1×13 Hidráulico!

No ano passado a ROTOR abalou o mundo com a divulgação do primeiro grupo hidráulico com treze velocidades; a notícia veio mas sem muitas informações sobre tamanhos, formatos e compatibilidades com outras marcas/produtos.

Como era de se esperar, o grupo é hidráulico e vem da base do antigo grupo UNO e é compatível somente com o os pedivelas ROTOR 2INpower, INpower, Aldhu e Vegast para road e 2INpower MTB, INpower MTB, KAPIC e Rhawk. Os shifters são os mesmo do grupo UNO versão de disco, corrente de 12v, freios e discos Magura com adaptadores de roda center-lock e os cassetes em alumínio mecanizado mantendo a característica de leveza do UNO.

Segundo os engenheiros da ROTOR, a lógica por trás da 1×13 veio a partir de alguns cálculos bem simples e práticos em relação ao típico 2×11 desmentindo a teoria de 2×11 é 22 e sim 14! Imaginem por exemplo, um 2×11 com um 53/39 e um 11×28; se multiplicamos todas as opções disponíveis dessa relação – 53 e 39 dentes dos pratos com os 11-12-13-14-15-17-19-21-23-25-28 do cassete – com um raio de 700×25 de uma roda road temos um range de 346%. Usando a mesma lógica, aplicada a um único prato – de 50 dentes, por exemplo – e um cassete de 13 velocidades 10-39 (10-11-12-13-14-15-17-19-21-28-33-39) temos um range de 390%.

Mas você deve estar se perguntando por que 2×11 não é na prática 22 e sim 14? As relações entre os pratos e os dentes dos cassetes, com o diâmetro de roda acima estão ordenadas da seguinte forma em metros:

Se ordenarmos:

Comparando com 1×13

Por fim, o duelo entre duas coroas x uma coroa:

Se colocamos essa distância em metros numa ordem crescente podemos observar que existem combinações que são praticamente iguais e portanto, não oferecem as 22 opções como pensávamos anteriormente e principalmente, na prática, não são mudanças das quais realmente fazemos, intercalando a cada mudança entre prato e cassete.

A mesma ideia é usada para os grupos de MTB, que ao contrário dos de estrada, ainda não tem data oficial de vendas. Segundo a ROTOR, o grupo de estrada já está disponível para venda em 5 opções pré-configuradas – Racing, Gran Fondo, Cyclosportive, Gravel e Cyclocross – mas ainda somente mediante a pré-venda e com algumas boas perguntas no ar.

Sabemos que os valores serão altíssimos, principalmente para o nosso mercado levando em consideração os impostos e os valores do grupo UNO anterior, mas o que realmente nos intriga são as compatibilidades com outros componentes. Por enquanto sabemos que apenas as rodas ENVE são compatíveis com a montagem dos cubos e raios 2 por 1 da rotor que são os que permitem espaço suficiente para um cassete de 13 velocidades.

Na prática, vemos que para montar esse grupo na sua bike, além de muita grana, obviamente, terá também que engolir todos os outros componentes da empresa espanhola que pouco a pouco vai tomando um espaço nas lojas aqui no Brasil. Talvez não seja um dos produtos mais baratos do mercado, mas realmente é um boa opção para quem quer opor-se aos gigantes do 1×12.

A verdade é que, de fato, seja interessante ver uma pequena empresa brigando no mundo das patentes de bicicletas, oferecendo opções realmente inovadoras e chacoalhando o mercado. Talvez não com o grupo 1×13, mas com certeza essa concorrência faz também com que ganhemos boas opções em preços e variedades para nossa bicicleta.

Preços

Apesar da tecnologia ser lindíssima, o preço ainda pode ser um impedimento, por enquanto!

Rotor 1×13 kit Preço
1×13 Groupset Kit 2Inpower €4,499 / £3,999 / $4,900
1×13 Groupset Kit Super Light €3,449 / £3,050 / $3,800
1×13 Groupset Kit €2,599 / £2,299 / $2,800
1×13 Ready Groupset Kit 12 Speed €1,999 / £1,750 / $2,200
Sobre Ígor Donini 20 Artigos
Ígor Donini é engenheiro físico (Ufscar) e mestre em Biotecnologia (Unesp). Editor e Co-fundador da plataforma DigitalCycling.