Campeonato Brasileiro de Ciclismo: Luto!

Mais uma vez o ciclismo brasileiro merece estar de luto. A prova de estrada do Campeonato Brasileiro de Ciclismo que seria disputada nas rodovias da região de Joinville (SC) em um percurso de 187,2 quilômetros, com uma serra de quase 1.000 metros de desnível e um total de mais de 3 mil metros de elevação acumulada foi substituída por uma prova de 180 quilômetros em um circuito plano de 15 quilômetros.

A mudança foi confirmada no início da noite desta quinta-feira (23 de junho) durante o Congresso Técnico do evento pelo presidente da Federação Catarinense de Ciclismo, João Carlos Andrade. O campeonato será disputado neste final de semana (25 e 26 de junho) em Joinville (SC) e a causa alegada para não utilização das estradas foi a falta de efetivo da Polícia Rodoviária.

Virando rotina

O mais triste é que o problema é reincidente. Em 2014, o Granfondo de verão, disputado em Ubatuba, foi cancelado na véspera e a alegação foi a mesma: falta de estrutura da Polícia Rodoviária Federal.

Enfim, uma piada de mau gosto como bem escreveu Fernando Blanco em sua página, Ciclismo Pró, no facebook.


UMA PIADA DE MAU GOSTO CHAMADA CAMPEONATO BRASILEIRO

Por Fernando Blanco.

Ciclismo Pró

E então nós teríamos um campeonato brasileiro de sonho, 180 km de estrada dura, com subida, mas 48 horas antes da corrida tudo mudou: nada de estrada, circuito longo (15 km), mas PLANO.

A Polícia Rodoviária (“PR”) alegou que não tinha contingente para dar segurança aos ciclistas Como assim, de repente? Sem nenhum feriado por perto?

Será que os organizadores fizeram o seu trabalho ou se limitaram a “mandar o oficio”? Fechar estrada no Brasil é trabalho duro e caro (de dinheiro!). É coisa longa, de convencimento, engajamento, puxa-saquismo político etc., etc.

Se a PR foi brutalmente irresponsável merece críticas escancaradas, processo etc. Alguém leu mensagens de revolta da CBC ou do pessoal de Santa Catarina? Eu terei prazer em divulgar.

E os ciclistas especializados em provas duras, que treinaram e criaram suas expectativas para uma prova de estrada? Danem-se, vão correr agora no plano. Molecagem. Falta de respeito. O ciclista sempre pagando a conta da incompetência alheia.

Se fosse na Europa, NINGUÉM LARGARIA e isso iria parar em telejornal. Até quando os ciclistas brasileiros irão aguentar tanto absurdo?

E os donos de equipes, será que eles não enxergam que toda essa zona se reflete em pouco prestígio, pouco respeito pelo esporte, poucos patrocínios e poucos lucros para eles? É ridiculamente obvio mas são todos coniventes com um status-quo que mexe no bolso deles. E tudo bem! É irracional !!

O ciclismo brasileiro, inteiro, precisa fechar e começar de novo. Com gente nova. Tem uma meia dúzia que ganha alguma coisa e não quer mudança, mas tem muitos milhares que são tratados como gado.

Absurdo, não me conformo. Em 1979 eu tinha 17 anos de idade, estava selecionado pela seleção santista para os Jogos Abertos de Araçatuba, de São Paulo, e fui excluído por ser boca dura. E era mesmo, fui boca dura nos Jogos Regionais e em todas as corridas do ano. Não tolerava coisa errada.

E sabem o que aconteceu? Reconheceram que eu tinha razão e me chamaram para a seleção 24 horas antes da corrida. E sabem o que eu fiz: não fui. Repito: eu tinha 17 anos mas não era moleque. Ninguém respeita gente covarde.

Luto. Mais uma vez.

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