Tour de France: De Gendt vence em dia “bizarro”

Saiba como!

A etapa do Mont Ventoux é sempre uma caixinha de surpresas no Tour, mas nada comparado ao que aconteceu hoje. A vitória de Thomas De Gendt mostrou que o ciclista está em grande forma e vencer no 14 de julho é como um capítulo a parte, uma etapa extremamente disputada. Mas o que ficou para a história foi a corrida “bizarra” e desesperada de Chris Froome (Sky) para trocar de bicicleta e seguir na prova, após a moto que filmava a prova literalmente parou na frente de Richie Porte, Froome e Bauke Mollema, que atacavam para definir a geral.

O caos foi total, com a queda dos líderes, o grupo perseguidor passou por eles e a briga pela geral virou loteria!

Felizmente, ao final do dia, a organização da prova interviu e os tempos de Froome, Porte e Mollema foram contabilizados como a diferença que ocorria durante a queda. Assim, Froome continua líder, com Adam Yates (Orica-BikeExchange) na segunda colocação.

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Belíssima vitória de Thomas De Gendt (Getty Images).

Como a etapa se desenvolveu

Desde a largada o ritmo foi forte, com uma fuga com 14 ciclistas se estabilizando em seguida, contava com os ciclistas: Bertjan Lindeman e Sep Vanmarcke (Lotto-Jumbo), Stef Clement (IAM Cycling), Serge Pauwels and Daniel Teklehaimanot (Dimension Data), Paul Voss (Bora-Argon 18), André Greipel and Thomas De Gendt (Lotto-Soudal), Bryan Coquard and Sylvain Chavanel (Direct Energie), Iljo Keisse (Etixx-Quick Step), Dani Navarro e Cyril Lemoine (Cofidis) e Chris Anker Sorensen (Fortuneo-Vital Concept).

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A fuga do dia, com Iljo Keisse na ponta (Getty Images).

A fuga chegou a abrir mais de 18 minutos e foi a maior diferença do Tour até aqui. O encurtamento de quase 6km na subida final (devido à previsão de ventos fortes) fez com que a etapa se tornasse mais explosiva ainda, haja vista que hoje era um daqueles dias que poderiam decidir a volta.

O vento soprava forte, como previsto, e o pelotão se quebrava em pedaços, enquanto a ascensão ao Mont Ventoux se aproximava. Na fuga, Thomas De Gendt mandou Andre Greipel atacar ainda na parte plana da etapa, fazendo com que os outros ciclistas da fuga se desgastassem. Serge Pawells colocou seu forte passo e selecionou os melhores escaladores da fuga, Navarro seguia firme com ele e De Gendt se aproximava. De Gendt colocou seu passo e apenas Serge Pawels foi capaz de segui-lo, com Dani Navarro na perseguição. Dentro do último quilômetro, Navarro ressurgiu, mas sem forças para disputar a chegada com os outros dois, e com De Gendt vencendo.

Assim, De Gendt adiciona uma importante etapa em sua carreira, o 14 de julho é o dia da Queda da Bastilha (semelhante ao nosso 7 de setembro), e é uma grande festa na França. Quem vence a etapa neste dia é tido como herói nacional e a repercussão é enorme.

A corrida “bizarra” de Chris Froome

No grupo dos favoritos da geral, Sky e Movistar mediam forças, sendo que Alejandro Valverde mandou um ataque na base do Ventoux a fim de desgastar a Sky, mais tarde Quintana atacou 2 vezes, e froome não mexeu um dedo sequer, apenas colocou Landa e Poels para correr atrás. O ataque de Froome veio e apenas Porte e Quintana foram capazes de segui-lo! O britânico girava rápido, como de costume, parecia ligado no 220v, quando o inesperado aconteceu: Quintana sobrou.

Neste momento a vitória do Tour sorriu para Froome que começou a revezar com Porte, Mollema atacou forte do grupo perseguidor e alcançou os dois. Ninguém esperava uma reação tão forte de Mollema, e ninguém esperava, muito menos, o que iria acontecer na sequência.

A quantidade de pessoas na montanha era enorme, era difícil para os ciclistas, e mais ainda para a organização, uma verdadeida “zorra”. Quando, então, a moto da organização perdeu o controle, Richie Porte vinha fazendo muita força e não conseguiu parara a tempo, caiu ao trombar na moto, com  Molema e Froome indo ao chão também. Molema foi o único que conseguiu continuar sem problemas mecânicos, Porte teve que parar para recolocar a corrente que havia caído e Froome teve que trocar de bike. O grupo perseguidor passou o líder e este entrou em desespero, começou a correr sem a bike, na esperança de não perder tanto tempo, pegou uma bike do carro de suporte da Mavic, mas com tamanho bem menor, não conseguiu prosseguir, parou novamente e então pegou uma bike reserva de sua equipe que conseguiu chegar à linha de meta.

Ao final o placar mostrava quase 2 minutos de déficit para Froome, o que tirava suas chances de vitória no Tour, e outro duro golpe caía sobre Richie Porte. Felizmente, a organização da prova contabilizou os tempos de Froome, Porte e Mollema como a diferença que ocorria durante a queda e, subitamente, os perdedores se tornaram recompensados. O que vai gerar muita discussão ainda.

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Confira a inacreditável corrida de Froome sem a bike:

Confira o final da etapa:

Amanhã o contra-relógio que deve chacoalhar a geral

Depois de toda essa reviravolta, amanhã ainda teremos mais drama e suspense! Tá parecendo novela mexicana, mas não, é só o Tour de France.

Fiquem ligados, pois os 37,5km de amanhã serão muito importantes na geral, e na vitória de etapa teremos os grandes favoritos aos Jogos Olímpicos disputando a prova: Tom Dumoulin, Rohan Dennis, Tony Martin, Fabian Cancelara e cia limitada. Não perca nossa cobertura!

 

Confira mais imagens da etapa (Bettini Photo, Tim De Waele, Getty Images):

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