Tour de France: confira a última etapa e as conclusões sobre a edição 2016

Saiba como!

Andre Greipel (Lotto-Soudal) venceu a disputada chegada de encerramento do Tour de France 2016. Ele bateu o multi-disciplinar Peter Sagan (Tinkoff-SaxoBank) e o norueguês Alexander Kristoff (Katusha). A etapa foi marcada pela comemoração tradicional de encerramento do Tour, rolou aquele champagne francês e finalmente os ciclistas tiveram o merecido descanso.

A chegada na Champs Elysée é mais do que tradicional, é ali que são entregues os títulos da edição, para as camisas amarela, branca, verde e branca com bolinhas vermelhas, além do título por equipes. Os resultados finais podem ser vistos na tabela ao final do post.

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Greipel bateu Sagan por muito pouco! Mais uma chegada acirrada (Getty).

Chris Froome venceu em 89 horas, 04 minutos e 48 segundos, distribuídos em 21 etapas,  realizadas em 23 dias de competição, sem falar em algumas milhares de calorias…haja esforço! É por isso que o Tour é considerado uma das únicas competições no mundo em que os atletas perdem massa óssea. Os caras deixam tudo na estrada e o corpo não é de ferro.

No final da classificação está, o não menos famoso, o Lantern Rouge (o “lanterninha”), o velocista irlandês Sam Bennet (Bora-Argon 18). O atleta tomou um tombo feio na primeira etapa e todos achavam que ele iria desistir, mas ele seguiu firme e veio lutando contra o relógio para não ser cortado pelo tempo limite em algumas etapas, mas, no final, conseguiu chegar em Paris. Apesar de ser o último na classificação, foi uma grande vitória terminar nestas circunstâncias.

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Pódio da edição 2016: Froome em 1º, Bardet 2º e Quintana 3º. Direto para a eternidade!

Conclusões da edição 2016

Froome, o imbatível?

A Sky é hoje o time mais estruturado do World Tour, isso é indiscutível. O fato dos caras terem um cara como Chris Froome ajuda muito a vencer uma prova como o Tour, mas o trabalho coletivo do time é tão forte que é difícil dizer se ele faria o mesmo sem essa equipe. Em várias situações Froome não tinha que pegar a ponta para defender a camisa amarela quando alguém atacava. Nesses momentos Woulter Poels, Geraint Thomas, Sergio Henao ou Mikel Nieve, todos atletas que se estivessem em outros times seriam líderes para tentar vencer a geral do Tour, trabalhavam, e muito, para Froome.

A dedicação do time é tanta que, para você ter uma ideia, Sergio Henao se tornou pai na terceira semana do Tour e o time queria dispensá-lo, mas o atleta seguiu firme e disse que voltaria para a Colômbia somente depois do final da volta. Ele queria ajudar Froome a chegar em Paris vestido de amarelo. Poucos atletas fariam o mesmo.

Desta forma, a equipe chega à marca de 4 vitórias nas últimas 5 edições, foi vitoriosa com Bradley Wiggins em 2012 (com Froome em segundo) e com Froome em 2013, 2015 e 2016. Em 2014 eles não venceram pois Froome caiu na quinta etapa (chuvosa e no estilo Paris-Roubaix) e quebrou o braço, ano em que Nibali chegou em Paris de amarelo. Assim, a equipe tem feito um trabalho fantástico.

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Sky desfila em Paris. A equipe terminou completa, sem nenhuma baixa, e com Froome no lugar mais alto do pódio (Getty).

A Sky também possui a metodologia científica ao seu lado, contando com analistas de alto nível que estudam a melhor posição na bicicleta para ser mais aero e ergonômico ao mesmo tempo, estuda os rivais com profundidade, verifica os pontos cruciais das etapas e como eles podem modificar o treinamento/alimentação/equipamento para serem mais eficientes. Não se trata apenas de watts (potência) e planificação, mas, sim, de um imenso trabalho realizado por uma centena de pessoas que resulta nas vitórias que estamos observando.

Algumas das chamadas “melhorias incrementais” implementadas pela Sky são a preocupação de limpar o quarto dos atletas antes e depois de saírem, para que não gastem energias. Os ciclistas também não carregam as malas e tanto o colchão, quanto o travesseiro deles, são projetados especificamente para cada atleta, visando uma melhor recuperação das etapas. Isso sem contar as milhares de horas em  túneis de vento na pré-temporada, implementando, sempre que possível, melhorias nos equipamentos e na posição dos atletas, em conjunto com Pinarello, Shimano e cia. Enfim, não se trata apenas de Froome, mas de todo um conjunto.

A verdade é que o time Sky elevou o nível do ciclismo a um novo patamar e enquanto as outras equipes não fizerem as mesmas escolhas, ou inovarem em algo, Froome e o Team Sky continuarão sendo imbatíveis.

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Tá bom, ou quer mais? (Tim De Waele).

É você mesmo Quintana?

Talvez o mais incrível deste Tour não tenha sido a facilidade com que Froome venceu, mas o quanto Quintana pareceu apático. Considerado um dos maiores escaladores do mundo, Quintana sofreu muito nas etapas mais duras deste ano, e até mesmo sobrou em uma etapa para Valverde que largou o Tour justamente para ajudar o colombiano.

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Terceiro colocado geral e sofrendo com alergias, Quintana ainda é o único que pode bater Froome no Tour. A pergunta que não quer calar é: quando? (Bettini Photo).

Mas você pode dizer: mas ele está lá no pódio em terceiro, mesmo tendo andado “mal”, a verdade é que o Quintana que conhecemos não passaria este Tour como ator coadjuvante e sim como principal, o cara bota medo no Froome quando está bem, mas algo aconteceu e não sabemos ainda.

Foi comunicado na imprensa mundial que o ciclista colombiano sofreu de uma espécie de alergia durante o Tour e ainda não se sabe qual seria a causa. Os médicos da equipe Movistar irão acompanhar o atleta e um check up completo será feito nas próximas semanas para avaliar realmente o que aconteceu com o pequeno-grande escalador.

A verdade é que ele não deixará a história assim, ano que vem a Movistar deve vir ainda mais forte para bater de frente com o poderoso Team Sky e, quem sabe, Nairo esteja de amarelo em Paris.

Peter Sagan penta-campeão da camisa verde

Foram poucas etapas em que não vimos Sagan em ação, o cara é uma máquina. Venceu três etapas de forma completamente diferente, que foram a 2ª, em estilo de clássica belga, batendo no sprint Julian Alaphilipe e Valverde, depois venceu a 11ª etapa, escapando com Froome, Bodnar e Thomas em um final em que o vento cortou o pelotão. E, ao final, para completar, venceu um sprint em massa, batendo por milímetros Alexander Kristoff (Katusha). Foi a consagração para o campeão mundial.

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Sagan bateu Kristof no sprint da etapa 16, sua terceira vitória neste Tour (Getty).

Além disso, Sagan trabalhou para Majka em algumas etapas, ajudando o polonês a vencer, pela segunda vez, a camisa branca com bolinhas vermelhas de melhor escalador. Sagan também foi responsável pelo Top 10 de Romain Kreuziger: foi o eslovaco que entrou na fuga com Kreuziger na última etapa de montanha, pegou a ponta e acelerou até não aguentar mais. Depois acabou cortando com 60km para o final da etapa, mas foi a diferença colocada no pelotão, enquanto Sagan estava lá, que colocou Kreuziger na 10ª colocação geral.

No final ele foi penta campeão da camisa verde, um brinde para um Tour impressionante. O atleta da Tinkoff simplesmente mostrou que é capaz de qualquer coisa. Ano que vem ele deve voltar para vencer a camisa verde novamente e se igualar a Erik Zabel que a venceu por 6 vezes consecutivas, mas para Sagan o céu é o limite.

Richie Porte o azarado com motor V12

Richie Porte pela primeira vez terminou um Gran Tour como líder, ano passado ele até tentou liderar a Sky no Giro, mas uma sequência incrível de acontecimentos rotulou o atleta como azarado. Ele entrou neste Tour sendo considerado um dos ciclistas mais fortes em provas de uma semana, mas com grandes dúvidas sobre sua capacidade de aguentar 3 semanas de pressão.

Tudo parecia conspirar contra ele quando, na segunda etapa (vencida por Sagan), ele furou a poucos km da chegada e perdeu quase 2 minutos. Os mais pessimistas já apontavam o pior, que o ciclista nunca andaria bem no Tour e que uma nova maré de azar tinha retornado com força. A resposta do atleta veio no dia a dia da etapas, sempre sendo muito constante e, algumas vezes, sendo o principal atleta a colocar pressão no grupo do favoritos e até mesmo em Froome que foi obrigado a ir junto com o australiano algumas vezes.

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Após ter caído na etapa 19, Richie Porte voltou ao pelotão e atacou na subida do Mont Blanc. Ano que vem tem mais! (Getty)

A queda no Monte Ventoux e a queda na penúltima etapa de montanha também atrapalharam muito o atleta, no final o quinto lugar geral foi pouco pelo que ele apresentou. Sem tantos problemas ele estaria no pódio! O ciclista australiano deve voltar ao Tour em 2017 com mais confiança e convicto de que é capaz de brigar pela vitória na prova mais importante dos  ciclismo mundial.

Pantano: uma nova estrela colombiana

Havíamos comunicado que Pantano não iria participar da prova olímpica no Rio, o colombiano estava na reserva da seleção de seu país, mas Nairo Quintana desistiu da vaga por problemas de saúde e o técnico da seleção, Carlos Jaramillo, não pensou duas vezes e convocou Pantano para correr a prova de estrada nos Jogos do Rio.sptdw4015_670

O ciclista em seu primeiro ano de World Tour mostrou ser um ciclista completo, sobe bem, recupera-se rápido das etapas mais duras, consegue bater chegadas de pequenos grupos e se defende bem nos cronos. Venceu uma etapa no Tour da Suíça onde mostrou seu talento e acabou conseguindo a vaga para correr o Tour no time. No Tour venceu uma etapa e foi segundo em outras duas, além de terminar a volta dentro do Top 20 na 19ª posição, em um seleto grupo onde só estavam os melhores do mundo. Se considerarmos que Pantano não largou seu primeiro Tour pensando na Geral e sim em vencer etapas ou apenas para ser gregário, é possível afirmar que ele pode chegar mais longe.

Ao final da temporada o time IAM Cycling fechará suas portas, e Pantano estava sem contrato para 2017. Mas no segundo dia de descanso do Tour a Trek-Segafredo propôs um belo contrato para o atleta que deve correr a temporada 2017 ao lado de Alberto Contador que também estará no time. Pelo jeito os caras estão dispostos a gastar com reforços depois da aposentadoria de Cancellara.

Movistar novamente a campeã por equipes

Pode-se dizer que a briga pelas etapas foi intensa, com grandes fugas aparecendo quase todos os dias, sendo muitas vezes difícil para as melhores equipes do mundo controlar a prova. As equipes mais fortes foram Movistar, Sky e BMC, e não à toa foram, respectivamente, os melhores times na classificação por equipes. Eram estas três que tomavam a iniciativa nas etapas mais duras, e controlavam a prova, colocando passistas ou escaladores para ajudar seus líderes, um trabalho fantástico de se assistir e ver os melhores em ação.

A Movistar venceu, principalmente, pelos resultados de Quintana em terceiro, de Valverde em sexto e de Daniel Moreno, 31º na geral, o que demonstra que o coletivo do time espanhol é muito forte e por isso bons resultados aparecem em tantas provas.

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Movistar foi a equipe bi-campeã em 2015 e 2016 (Getty).

Vídeo e fotos

Veja os melhores momentos da última etapa:

Confira mais fotos sobre a final do Tour e da cerimônia de encerramento (Getty/Bettini/TimDeWaele):

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Veja tudo sobre as etapas aqui.

Classificação final do Tour de France 2016

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