Como fazer sua bike velha parecer nova

Vitória de Manuel Fumic e Henrique Avancini (Cannondale Factory Racing). No centro Jaroslav Kulhavy e seu parceiro Howard Grotts (Investec Songo Specialized) ao fundo. Foto: Cape Epic
Saiba como!

Com a crise que o país está passando atualmente, trocar de bicicleta às vezes é uma tarefa difícil, ainda mais com o preço dos componentes que tem variado bastante nos últimos tempos, devido, principalmente, à cotação em dólar.

Pensando nisso, resolvemos pesquisar algumas formas de você se sentir bem com a sua bike, formas de renová-la sem precisar trocá-la. São medidas simples que vão melhorar a motivação nos treinos e competições e ainda por cima, aumentar o rendimento. As dicas valem tanto para bikes de estrada quanto para mountain bikes.

1. Troque as borrachas

Nas bikes, são vários os componentes feitos de borracha e que vão perdendo as características com o tempo. Conforme eles ficam no sol, acabam ficando mais rígidos e não tem mais o mesmo desempenho. Sendo assim, quando foi a última vez que você trocou o seu pneu? Ele fura constantemente?

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As principais trocas nesse quesito são os pneus, câmaras e fitas de aro, que tem uma vida útil fixa e devem ser trocadas sempre que reduzirem a sua eficiência. Não espere o pneu ficar careca, a câmara de ar ficar com 10 furos, ou a fita de aro deixar de cumprir sua função para trocá-los. Fazendo isso você vai poder experimentar novos avanços nas tecnologias, que estão sempre sendo atualizadas na forma de novos materiais. Colocar um pneu mais largo, ou uma fita anti-furo pode ser uma boa melhoria para aqueles que treinam nas condições das pistas brasileiras.

Para quem anda de MTB, utilizar um sistema Tubeless é hoje um dos maiores avanços e muito simples de realizar, o que aumenta a performance e reduz as chances de furar ao longo de passeios, treinos e competições. Também vale aqui experimentar pneus com características diferentes, alguns são mais cravudos e voltados para terrenos arenosos, outros mais finos e com cravos baixos, ou seja, testar novos elementos pode ajudar a encontrar aqueles que melhor se adaptem às características da sua região ou àquela prova para qual você está treinando.

2. Troque os pontos de contato

Talvez aqui vale aquilo que muitos saibam, mas poucos coloquem em prática, que é a relação desempenho x conforto. Existem vários modelos de bancos, manoplas e pedais no mercado, alguns são muito leves e outros parecem feitos para tanques de guerra, pesam “toneladas”. Mas a verdadeira questão é: qual é aquele que faz você se sentir melhor?

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Existem várias marcas que são responsáveis por promover inovações em selins de alta performance, como a Fizik, a Specialized, a Selle Itália, Bontrager, etc. Mas, é preciso que cada um teste o equipamento e veja qual se adapta às suas características. Para o público feminino, é interessante utilizar selins mais largos, adequados à anatomia do corpo.

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Além disso, quando a meta é embelezar a bike, as fitas de guidão na speed mudam muito as características da bike. Em grandes provas como o Tour de France ou o Giro D´Itália, quando o ciclista assume a liderança, a primeira coisa a fazer é trocar a fita de guidão da bike, colocando amarela (Tour) ou rosa (Giro), a renovação mental e psicológica do atleta é enorme, além de dar aquele destaque. Experimente!

3. Renove os transferidores de potência

Muitos aqui já imaginaram que estaríamos falando dos medidores de potência, não é nada disso! Quando falamos de transferidores, estamos nos referindo às peças que conduzem o esforço humano e o transformam em movimento, ou seja, em trabalho. Na bike os principais itens que desempenham essa função, e são fáceis de trocar, são: corrente, coroas do pedivela, raiação da roda traseira e peças que sofrem atrito e diminuem a geração de trabalho (roldanas e rolamentos).

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A corrente é a principal, deve ser trocada constantemente, mas aqui vai um conselho: quando for trocar de corrente, tente experimentar novas marcas e modelos, e sempre faça limpezas após treinos com muita sujeira ou lama. A troca da corrente em si já deve elevar a capacidade de produção de trabalho, haja vista que haverá menores perdas na pedalada.

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É melhor não dar chances para o azar.

Nas coroas do pedivela há um capítulo à parte, que são as coroas ovais. Muito utilizadas por Chris Froome e por outros ciclistas profissionais, elas prometem melhorar o desempenho e o conforto na pedalada, para aqueles que podem desembolsar uma pequena fortuna em uma delas, é uma boa pedida.

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Froome utilizando a coroa oval (TDW).

No caso da raiação, que para nós, é o item mais importante após a corrente, os raios da roda traseira são constantemente exigidos, por isso duram menos e se não forem trocados de vez em quando, tendem a consumir a performance do ciclista. O mínimo que deve ser feito é estar sempre de olho e verificar se a raiação não está frouxa. Para aqueles que preferirem fazer um upgrade e adquirirem um par de rodas novo, também é uma boa, o que por si só, dá uma nova cara para a bike. Para aqueles que estão utilizando rodas de competição em treinos, saibam que os materiais utilizados atualmente, apesar de serem muito leves, perdem rigidez bem rápido, exigindo inspeções e cuidados para que não tenham problemas, principalmente se forem de carbono.

4. Faça um bike fit

Esta vale não apenas para os ciclistas mais avançados, mas também, e principalmente, para aqueles que estão começando. O bike fit vai melhorar o conforto e evitar lesões, vai favorecer a melhoria do rendimento da pedalada com ajustes simples, mas que se bem feitos, tendem a ajudar muito na postura e desempenho das atividades.

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Sendo assim, procure um profissional habilitado para realizar o bike fit na sua região, e além disso, procure sempre estar se informando com ele sobre as dores que você sente durante ou após a pedalada. Às vezes é necessário algum tipo de fortalecimento (exercícios funcionais ou musculação) para a melhoria de sua postura na bike, mas, em geral, apenas com um bom bike fit, você sentirá uma melhora na pedalada. É “da água para o vinho”.

5. Faça uma revisão completa

Aqui vale tanto para a transmissão e rodas, quanto para a suspensão da MTB. A revisão vai verificar a necessidade de se trocar rolamentos gastos e ineficientes, vai regular a transmissão, a troca de cabos e conduítes e verificar outros ajustes que deixam a bike com rendimento muito próximo do estado de nova.

Após uma revisão a bike fica com um novo aspecto, rende mais e você fica menos preocupado quanto aos problemas mecânicos que podem ocorrer, já que muitos serão solucionados nas manutenções preventiva e corretiva, que são as diretrizes da revisão.

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