Mundial de Ciclismo de Pista: Tudo que você precisa saber!

A delegação australiana é sempre fortissima. A prova de Perseguição por Equipes é um dos carros-chefe deles. São os atuais campeões mundiais e detentores do recorde da prova

Amanhã se inicia o Campeonato Mundial de Ciclismo de Pista, com transmissão da Sportv. E aqui vamos contar pra vocês um pouco da história desse gênero do ciclismo, trazendo as peculiaridades de cada modalidade envolvida no campeonato mundial.

O Ciclismo de Pista é caracterizado pelo fato das provas serem realizadas em velódromo (a céu aberto ou cobertos). As bicicletas utilizadas possuem uma marcha só, fixa, ou seja, o pedivela não para de girar. As relações utilizadas entre Coroa x Pinhão variam de acordo com a prova em disputa e as bicicletas também não possuem nenhum sistema de freio, apenas a desaceleração natural. Os atletas de pista, de modo geral, tendem a ser bem mais corpulentos que os ciclistas de estrada.

O mundial de ciclismo de pista é realizado anualmente e a edição desse ano será realizada na cidade de Pruszkow, na Polônia.

INFORMAÇÕES SOBRE A PISTA DA ARENA BGZ

Piso: Pinheiro Siberiano
Comprimento: 250 metros
Largura: 7,1 metros
Máxima Inclinação: 42,1º (curvas)
Mínima Inclinação: 13º (retas)

Vista aérea da Arena BGZ, o Velódromo onde será realizado o campeonato mundial de ciclismo de pista de 2019

Ao todo serão 9 provas para as mulheres e 10 para os homens, vamos aprender um pouquinho mais sobre cada uma:

– Sprint Individual: é uma corrida no estilo 1 contra 1 onde os dois oponentes largam próximos um do outro, os atletas dão 2 voltas (em velódromos de 250 m) se estudando e se encarando, num jogo psicológico fortíssimo – aqui ocorrem as famosas “Track Standings” que é quando o ciclista fica parado se equilibrando com a bicicleta. Ao entrar na terceira volta, é tocado um sino indicando que aquela volta é pra valer. Os duelos são disputados no formato de melhor de 3.

Atuais campeões
Masculino: Matthew Glaetzer (Austrália)
Feminino: Kristina Vogel (Alemanha)

Matthew Glaetzer vencendo o britânico Jack Carlin no Mundial de 2018

– Sprint por Equipes: É similar ao sprint individual, mas é realizado em trios, 2 embaladores e o sprinter. Os trios largam de lados opostos do Velódromo e o que vale aqui é o tempo. Ao fim da primeira volta, um dos embaladores sai, quando termina a segunda volta, o segundo embalador deixa o sprinter completar a ultima volta sozinho e assim cronometrar o tempo.

Atuais campeões
Masculino: Nils van Hoenderdaal, Harrie Lavreysen, Jeffrey Hoogland, Matthijs Buchli (Holanda)
Feminino: Miriam Welte, Kristina Vogel, Pauline Grabosch (Alemanha)


Disputa pelo Bronze e pelo Ouro, no Sprint por Equipes. No Mundial de 2018

– Contra-Relógio: Aqui o que vale é o tempo. Para mulheres são 500 m e para os homens 1 km. Nos velódromos de 250 m, como é o caso do que vai ser disputado, os homens dão 4 voltas e mulheres 2.
O recorde masculino é do francês François Pervis, com tempo de 56.303 segundos, ou 63.940km/h de velocidade média. Já o recorde feminino é da russa Anastasia Voinova, com tempo de 32,794 segundos e 54,888 km/h de média.

Atuais campeões
Masculino: Jeffrey Hoogland (Holanda)
Feminino: Miriam Welte (Alemanha)

A Mexicana Jéssica Salazar é detentora do recorde na prova de 500m Contra-Relógio, com tempo de 32.268 segundos. Esse ano estará no mundial, brigando pela camisa Arco-Íris

– Keirin: Aqui os ciclistas percorrem 3 km, 6 voltas nos velódromos de 250m, e a velocidade no inicio é controlada por uma bicicleta elétrica, pilotada por um Derny. Esse guia inicia a 30 km/h e gradualmente aumenta até chegar em 50 km/h. O Derny fica até completar 750 m, as últimas 3 voltas são completadas apenas pelos ciclistas. A ordem dos corredores atrás do Derny, durante as 3 primeiras voltas, é pré-estabelecida por sorteio, antes da prova, e não é permitido nenhuma ultrapassagem com o Derny ainda na pista.
O único brasileiro na disputa, Kácio Freitas, compete por essa modalidade.

Atuais Campeões
Masculino: Fabián Puerta (Colômbia)
Feminino: Nicki Degrendele (Bélgica)

– Perseguição Individual: O embate aqui também é 1×1, os ciclistas largam de lados opostos da pista. O evento tem 4km para homens e 3 km para mulheres. Ganha quem completar em menor tempo. Se, por algum motivo, um ciclista alcançar o outro, o jogo acaba e o ciclista que foi alcançado perde automaticamente, mesmo que não tenha acabado a distância.
O atual detentor do recorde masculino é o americano Ashton Lambie, com tempo de 4:07.251, o feminino também pertence ao EUA, com Chloe Dygert, com tempo de 3:20.060.

Atuais Campeões
Masculino: Fillipo Ganna (Itália)
Feminino: Chloe Dygert (EUA)

Prova feminina do Keirin, nas Olimpíadas do Rio 2016. Com o Derny ainda comandando as ações

– Perseguição por Equipes: exatamente igual a perseguição individual, mas aqui são 4 ciclistas por time e o tempo é calculado quando a primeira roda do terceiro ciclista cruza a linha (ou seja a 5ª roda do conjunto). A equipe pode ‘perder’ um membro durante a competição, ou seja, começar com 4 e acabar apenas 3, o que é bem comum.

Atuais Campeões
Masculino: Ed Clancy, Kian Emadi, Ethan Hayter, Charlie Tanfield (Grã-Bretanha)
Feminino: Jennifer Valente, Kelly Caitlin, Chloé Dygert, Kimberly Geist (EUA)

A delegação australiana é sempre fortissima. A prova de Perseguição por Equipes é um dos carros-chefe deles. São os atuais campeões mundiais e detentores do recorde da prova

– Corrida por Pontos: Para homens 40 km (160 voltas) para homens e 25 km (100 voltas) para as mulheres. A cada 10 voltas existe um sprint que dá pontuação de 5, 3, 2 e 1 para os 4 primeiros. E qualquer ciclista que conseguir dar uma volta no pelotão ganha um extra de 20 pontos. No fim, vence quem somar mais pontos durante a prova.

Atuais Campeões
Masculino: Cameron Meyer (Austrália)
Feminino: Kirsten Wild (Holanda)

A prova por pontos é longa, mas também é muito dinâmica. Com sprints a cada 10 voltas, e diversos ataques em busca dos 20 pontos extras!

– Scratch: É o modelo mais parecido com o ciclismo de estrada. Cruzou a linha, venceu! A distância aqui é de 15 km (60 voltas) para homens e 10km (40 voltas) para as mulheres. Não há sprints e pontuações intermediárias.

Atuais Campeões
Masculino: Yauheni Karaliok (Bielorussia)
Feminino: Kirsten Wild (Holanda)

O bielorusso atual campeão do mundo em Scratch, Yauheni Karaliok irá defender o seu título!

– Omnium: O evento de omnium é dividido em 2 dias e conta com 6 eventos (3 por dia). Engloba o Scratch, Perseguição Individual, Corrida de Eliminação, Contra-Relógio e, por fim, Corrida por Pontos. O vencedor de cada etapa ganha 40 pontos, o segundo 38 pontos, o terceiro 36 e assim por diante. Do 21º pra baixo, apenas 1 ponto. Todos os pontos obtidos na Corrida por Pontos são adicionados na Classificação Geral.

Atuais Campeões
Masculino: Szymon Sajnok (Polônia)
Feminino: Kirsten Wild (Holanda)

Mark Cavendish e Fernando Gaviria, na disputa da prova de Omnium no Mundial de 2016. Na ocasião, Gaviria conquistou o bi-campeonato!

– Madison: A única prova exclusivamente para Homens. Tem duração de 50km (200 voltas) e é disputada por duplas. Que podem se revezar durante a prova, onde o corredor que está na pista, pode dar um “empurrãozinho” no companheiro que irá entrar. Também há pontuações de 5, 3, 2 e 1, a cada 10 voltas.

Atuais Campeões
Masculino: Roger Kluge e Theo Reinhardt (Alemanha)

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Melhores momentos do Mundial de 2016, em que ‘Sir’ Bradley Wiggins e Mark Cavendish, se sagraram campeões mundiais de Madison.

As 5 melhores nações do último mundial – Apeldoorn (Holanda)

Nações e Atletas com maior número de Vitórias

  • A França é o país com maior número de títulos, 137. Seguidos de Alemanha (130) e Grã Bretanha (102).
  • Arnaud Tournant (França) é o homem mais bem sucedido, com 14 ouros
  • Anna Mears (Austrália) é a mulher mais vezes condecorada, subindo 11x no lugar mais alto do pódio.
A lendária australiana Anna Meares. Mulher com maior número de títulos mundiais na pista, esse ano já não está mais competindo!

PREMIAÇÕES

As premiações para homens e mulheres, SÃO AS MESMAS!

*Prêmio é dado para o time

Todo o vencedor é coroado também com a famosa Camisa Arco-Íris, dada para os campeões de qualquer modalidade do ciclismo. E o direito de usá-la por 1 ano, até ter um novo campeonato mundial.

O jovem italiano, do team Sky: Fillipo Ganna (22), utilizando a sua camisa arco-íris no lugar mais alto do pódio, em 2018. Esse ano ele defenderá seu título na Perseguição Individual, e ajudará a ‘Squadra Azurra’ a buscar o título na Perseguição por Equipes

Quando e onde assistir

Quarta – 13h45 – SporTV 3
Quinta e Sexta – 14h15 – SporTV 3
Sábado – 12h45 – SporTV 3
Domingo – 9h45 – SporTV 2

Podem mandar mensagens no twitter para o @sergeta

Sobre Estagiário 51 Artigos
Menos conhecido por Giovanni Santana, é graduando em Engenharia de Aquicultura (UFPR). Ciclista de fim de semana, entusiasta e corneta em tempo integral.