Prévia do Mundial de Estrada 2019

Valverde venceu o mundial de 2018 a frente de Romain Bardet (França) e Michael Woods (Canadá) após uma batalha de tirar o fôlego nas montanhas da Áustria (TDWSport).
Saiba como!

Uma das provas mais esperadas da temporada está prestes a acontecer! O título mundial de estrada será disputado na região de Yorkshire, na Grâ-Bretanha, em estradas sinuosas e que prometem trazer grandes desafios aos melhores ciclistas do mundo. As provas acontecem este mês, entre 22 e 29 de setembro.

Para começar a falar da prova, lembramos que os britânicos são apaixonados pelo ciclismo, seja ele na sua vertente na estrada, seja na pista, seja no down hill ou no MTB, os caras investem muito. É só olhar o quadro de medalhas em jogos olímpicos e veremos que boa parte das medalhas daquele país estarão vindo das provas com bikes.

Isto posto, a região de Yorkshire já é bem conhecida pelos ciclistas, seja por aqueles que competiram o Tour of Britain nos últimos anos, seja pela passagem do Tour de France pela região, em 2014. Em todas as ocasiões, os ciclistas enfrentaram subidas que não eram longas, mas com inclinação considerável e estreitas, lembrando a região dos Ardennes, na Bélgica, a qual é o grande palco das clássicas belgas Fleche-Wallonie e Liège-Bastogne-Liège.

A maior parte das grandes seleções já fez o reconhecimento do percurso, e alguns atletas já fizeram até mesmo um training camp na região. Dentre as equipes mais fortes na prova teremos as seleções holandesa, a belga e a francesa.

Veja o trajeto:


Favoritos

1 – Mathieu Van der Poel (Holanda)

Difícil não comentar aqui um dos nomes mais falados nesse ano. A sensação Mathieu Van der Poel irá com um timaço para o mundial e terá a chance de vencer bonito a frente dos melhores do mundo.

VdP tem vencido provas em 2019 no MTB (uma etapa da Copa do Mundo), Ciclocross (Mundial e Copa do Mundo) e estrada, na qual ele causou um grande impacto nas clássicas, vencendo a Amstel Gold Race em seu país e a De Brabantse Pijl na Bélgica, além de inúmeras outras provas com subida, planas, contra-relógios.. ufa! O cara é uma máquina!

A equipe da holanda terá as locomotivas da equipe Jumbo-Visma, sendo uma delas o primeiro líder do Tour de France 2019, Mike Teunissen, além de nomes de peso como Dylan Van Baarle (Ineos), Bauke Mollema (Trek), Sebastian Langeveld (EF), Jos van Emden (Jumbo-Visma) e Pieter Weening (Roompot). Ou seja, uma equipe inteiramente desenhada para a vitória de VdP. Ele será o grande nome a ser marcado na prova!

2 – Philippe Gilbert (Bélgica)

Após ficar de fora da equipe QuickStep no Tour de France, provavelmente por problemas internos, o belga multi-campeão Philippe Gilbert está com tudo! Depois de vencer duas etapas na Vuelta a España 2019 e ter escrito seu nome na Paris-Roubaix desse ano, ele, mais do que ninguém, sabe como vencer uma clássica!

Com vitórias em quatro dos cinco monumentos do ciclismo, Gilbert só falta vencer a Milan-San Remo para estar de vez entre as lendas do ciclismo. Em 2012 ele venceu o mundial de estrada em uma batalha épica na Holanda, no que pareceu mais um ataque a sangue frio em que absolutamente ninguém conseguiu seguir. Foi um mundial com cara de Amstel Gold Race, prova que Gilbert venceu nada menos do que quatro vezes e tinha um circuito com suas características.

Em 2019, com mais experiência e com um timaço da Bélgica para auxiliá-lo, a grande questão seria como o belga poderia lidar com as subidas curtas e duras do circuito. Para isso, o belga foi para a Vuelta a España se preparar e tem andado muito. Atacou em várias montanhas duras nas quais esteve na fuga, venceu duas etapas e se mostra completo para a briga pela camisa arco-íris.

3 – Julian Alaphilippe (França)

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O francês Julian Alaphilippe tem tido a melhor temporada de sua vida. Com vitórias esse ano nas clássicas Fleche Wallonie, Milan San Remo e Strade Bianche, além de duas vitórias no Tour de France que lhe renderam 12 dias com a camisa amarela de líder, Alaphilippe tem mostrado que pode surpreender e vencer o mundial desse ano.

A equipe francesa ainda não foi divulgada, mas tudo indica que todos os esforços estarão ao redor de Julian Alaphilippe. Além disso, em conjunto com a comissão técnica da QuickStep, a planilha de treinamento do ciclista foi pensada a fim de diminuir o desgaste nesse fim de temporada. O número de competições foi diminuído e o pico foi regulado para ser o dia 29 de setembro em Yorkshire.

Nos últimos dois anos vimos mundiais de estrada na Noruega (2018) e Áustria (2019) nos quais Alaphilippe teve um papel de destaque. O ataque no mundial de 2018 deu a sensação de que ele teria esse título em algum momento da carreira. Esse momento pode ter chegado!

4 – Peter Sagan (Eslováquia)

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Depois de um início de temporada tímido, o tri-campeão mundial Peter Sagan se reencontrou com as vitórias a partir de junho, no qual ele voou baixo no Tour da Suíça e eu mesmo estive lá acompanhando o atleta e apostei que ninguém poderia tirá-lo de mais um título da camisa verde do Tour de France.

A forma como Sagan manobra sua bike em situações de extrema potência é impressionante. Seja em chegadas curtas e duras, seja em sprints massivos, ou mesmo em locais técnicos, ele se destaca a frente dos seus rivais. Talvez por ter suas origens no MTB, Sagan tem muita perícia e anda com diversão sobre sua bike.

E por falar em diversão, Sagan, após ter vencido pela sétima vez o título da camisa verde do Tour de France 2019, ele se refugiou nos EUA onde tem andado de MTB, fez uma grande preparação na estrada e até mesmo fez treinos com a bike de down hill. O retorno às competições será nos GPs de Quebec e Montreal, no Canadá, neste final de semana.

A grande questão que fica é a fraca equipe da Eslováquia que não poderá fazer muito por Sagan. Já sabemos que ele sabe se virar sozinho e seguir a roda das grandes seleções em momentos críticos. Mas, de qualquer forma, esse será um ponto a seu desfavor. Todos os outros pontos mostram que Sagan, em um bom dia, seria um franco favorito para essa prova!

5 – Alejandro Valverde (Espanha)

Aos 39 anos muitos poderiam dizer que Alejandro Valverde não poderia vencer o título mundial pela segunda vez, mas a forma como ele vem andando esse ano mostra que o espanhol está tão forte como nos seus tempos mais tenros.

Com uma equipe que será montada inteiramente para auxiliá-lo, com ciclistas de peso como Jonathan Castroviejo, Marc Soler, Imanol Erviti, Antonio Pedreiro e Hugh Carthy, Valverde dependerá de suas próprias pernas e de um posicionamento perfeito para disputar o título com os ciclistas acima relacionados.

Talvez por não possuir um sprint tão potente quanto Alaphilippe, Sagan ou VdP, Valverde terá de confiar nas suas próprias pernas e fazer uma prova diferente da dos demais. O fato é que Valverde sabe correr. Em provas de um dia esse ponto é ainda mais pronunciado e a defesa do título mundial será o grande foco de sua temporada!