Mads Pedersen, o título mundial e a formação de talentos da Dinamarca!

Assim que terminou a prova de estrada do mundial, em Yorkshire, na Grã-Bretanha, muitos fãs do ciclismo começaram a discutir o que tinha acontecido e quem é Mads Pedersen, o dinamarquês de 23 anos que acabou batendo o campeão europeu de 2018, Matteo Trentin, depois de insanos 260 quilômetros debaixo de chuva e muito frio.

Veja como foi a prova em nossa cobertura aqui:

Mads Pedersen é o novo campeão do mundo de ciclismo de estrada!

Em meio a tantas estrelas que estavam na prova, foi a humildade e a estratégia de Pedersen que se sobressaiu fazendo com que grande parte dos fãs se perguntassem: Quem é esse cara? De onde veio? Do que se alimenta? São muitas perguntas, mas todas possuem respostas…

Mads Pedersen bateu Mateo Trentin e Stefan Kung para vencer o título mundial (TDWSport).

Pois bem, tentaremos responder essas questões, da mesma  forma que respondemos sobre o campeão mundial júnior, Quinn Simons, que após 19 meses de preparação na estrada conseguiu o título mundial de maneira impressionante. Já adianto que a resposta está num meio termo entre encontrar talentos, valorizá-los e dar condições para que façam seu trabalho.

O início

O prodígio Mads Pedersen começou a pedalar cedo. Apoiado pelos pais, a bike sempre foi utilizada pela família. Quando ainda adolescente, gostava de fazer trilhas em sua MTB e ali começou sua paixão. Fez parte de clubes de ciclismo onde seu natural dom começou a aparecer. As vitórias começaram aos montes e até um rolê com o ídolo Michael Rasmussen foi possível em meados de 2010, antes de Rasmussem confessar o doping após ser pego no Tour de France.

Sendo um país pequeno e muito bem estruturado, a Dinamarca oferece muitas oportunidades para aqueles que possuem algum dom. No caso de Pedersen isso não foi diferente. Ainda que seus pais não o apoiassem, o ciclismo e os clubes foram um ambiente rico para seu desenvolvimento.

Velhos conhecidos: esse foi o pódio do mundial júnior de 2013, com Mads Pedersen (2), Mathieu Van Der Poel (1) e Iltjan Nika (3).

A Dinamarca é considerado um país “bike friendly”, ou seja, as pessoas se sentem dispostas a ir e vir de bike, ao invés de utilizar veículos automotores. Em uma pesquisa realizada todo ano, a cidade de Copenhague foi considerada a melhor cidade para pedalar do mundo (veja abaixo). O transporte público é adaptado e preparado para levar a bike e as pessoas se sentem seguras pedalando em suas ruas. O nível de doenças cardiovasculares no país é baixíssimo.

A Dinamarca e as bicicletas. O país lidera todos os ranking de mobilidade de uso da bicicleta:

Índice lista as 20 melhores cidades para pedalar no mundo (Folha de São Paulo)

Copenhagen: a cidade mais bike friendly do mundo (Terra)

As 15 melhores cidades do mundo para andar de bicicleta (Exame Abril)

As cinco melhores cidades para bicicletas no mundo (Mobilize)

Como a bicicleta renasceu na Dinamarca

Todas essas características formam um ambiente que ajudaria não só Mads Pedersen, mas uma nova geração de ciclistas com um enorme talento que vem saindo daquele país. A cada ano são novos nomes, no masculino e no feminino a “dar as caras” em pódios de provas importantes.

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Pedersen vencendo a Paris-Roubaix Júnior em 2013.

O país tem tido muitas medalhas em mundiais, tanto na estrada quanto no MTB. Este ano em Yorkshire foram dois ouros, um com Pedersen na Elite e outro com Mikel Bjerg na prova de contra-relório na sub-23. Bjerg já assinou contrato com a equipe dos Emirados Árabes, UAE. Em 2018 Bjerg também venceu a mesma prova, sagrando-se bi-campeão mundial este ano!

A seleção da Dinamarca em Yorkshire

A seleção da Dinamarca levou um time fortíssimo para Yorkshire, contendo Jakob Fuglsang, Michael Valgren, Kasper Asgreen, Magnus Cort Nielsen e Mads Pedersen. Com tantos talentos sendo formados “em casa”, já era de se esperar que a Dinamarca fosse para Yorkshire com um timaço.

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A seleção da Dinamarca levou um time fortíssimo para Yorkshire, contendo Jakob Fuglsang, Michael Valgren, Carper Asgreen, Magnus Cort Nielsen e Mads Pedersen.

Estes nomes citados acima venceram provas importantes, só para citar alguns, Fuglsang venceu a Liège-Bastogne-Liège, o Critérium du Dauphiné e uma etapa da Vuelta a España (entre outras). Michael Valgren venceu as clássicas Omloop Het Niewsblad e a Amstel Gold Race ano passado. Kasper Asgreen com a mesma idade de Pedersen, venceu o nacional de crono, foi vice-campeão europeu e vice campeão nacional, além de vencer uma etapa no Tour da California tudo esse ano!

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Enfim, é um grande time e o desenrolar da prova do mundial foi ao favor deles. O clima frio e gelado foi um ponto positivo para os atletas que já treinam nesse ambiente. A preparação foi excelente, haja vista que todos competem em grandes equipes do World Tour. O caminho estava trilhado e Pedersen fez por merecer!

Veja os melhores momentos da NBC aqui: