Doping: investigação Aderlass e exames implicam vários ciclistas

GEORG HOCHMUTH / AFP
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Parece uma colcha de retalhos! A operação Aderlass, que tem sido conduzida pela promotoria de Thuringe, na Alemanha, está desmantelando um esquema de dopagem sanguínea que se alastrou pela Europa. O termo Aderlass, em alemão, significa “sangria”, e reflete muito bem a prática realizada por ciclistas, esquiadores e patinadores do leste europeu que foram descobertos.

Além dessa investigação, o colombiano Juan Sebastian Molano (UAE) foi suspenso do Giro d’Itália pela equipe devido a exames internos, Kristjan Koren (Bahrain-Merida) foi retirado do Giro pela operação Aderlass, e o croata Kristjan Durasek, também da equipe UAE, foi retirado do Tour da Califórnia, que está acontecendo nos EUA,  devido às investigações que vieram a tona.

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Kristijan Durasek of Croatia and UAE Team Emirates
O croata Kristijan Durasek (UAE Team Emirates).

Operação Aderlass

Já são seis ciclistas implicados na operação alemã: Stefan Denifl (Aqua Blue Sport), Georg Preidler (Groupama-FDJ), Alessandro Petachi (aposentado, maior velocista italiano da história), o esloveno Kristjan Koren (Bahrain-Merida) e o diretor da Bahrain-Merida, Borut Bozic já haviam sido implicados. Hoje foi pego mais um: o croata Kristijan Durasek da equipe UAE-Team Emirates.

Todos eles tem ligação com um médico: Dr. Mark Schmidt, de Thuringe. A rede de doping funcionava retirando e mantendo refrigerados o sangue dos atletas para posteriormente serem reinjetados. O ciclista Georg Preidler já havia se entregado ano passado, confessando ter feito uso das reinfusões autólogas no Tour de France e colaborou com as investigações.

Schmidt, o médico, foi detido em sua casa onde foi encontrada atrás de uma parede fina em sua garagem, bolsas de sangue, além de centrífugas e aparelhos de laboratórios. Todos os itens foram levados pela polícia alemã.

O diretor da UAE, Neil Stephens, estava no Tour da Califórnia nesta manhã quando foi informado sobre Durasek: “Ele tem feito um bom trabalho pelo time. Pelo que indicam as investigações, o ciclista se envolveu com o doutor Schmidt em 2017, ele ainda não fazia parte do time e não temos nada com isso”, afirmou Stephens.

Stephens é um velho conhecido das autoridades europeias. Ele foi profissional por muitos anos, competindo por 11 anos em equipes como O.N.C.E. e Festina antes de se aposentar. Ele foi pego no caso Festina no Tour de France de 1998. Ele disse que achava que estava tomando vitaminas por via intravenosa.

Perguntado se ficou surpreso com a notícia de quarta-feira, Stephen disse que não importava como ele se sentia pessoalmente.

Giro d’Itália

Juan Sebastian Molano (UAE) foi suspenso do Giro d’Itália pela equipe devido a exames internos que indicam que o ciclista possa ter violado o passaporte biológico. Isto pode levantar suspeitas do uso de doping.

O ciclista colombiano que subiu esse ano para o World Tour e estava auxiliando Fernando Gaviria no Giro, pode ter sua carreira encerrada precocemente em decorrência do ocorrido. Maiores exames serão realizados e o ciclista irá se defender pelas vias judiciais.

Além de Molano, Kristjan Koren (Bahrain-Merida) foi retirado do Giro hoje pela operação Aderlass. Assim as equipes Bahrain-Merida e UAE são as maiores implicadas nas investigações até o momento.

Outro que chamou a atenção na Itália, por seu envolvimento nas análises foi Alessandro Petachi, considerado o maior velocista italiano da história. Petachi estava trabalhando como comentarista de televisão desse Giro por uma TV local e foi retirado do posto.

Petachi falou: “Eu nunca me encontrei com o Dr Schmidt, nunca fiz uso de métodos ilícitos!”, afirmou o ex-camisa verde do Tour de France e recordista em vitórias de uma mesma edição do Giro, com nove vitórias em um mesmo ano!

Pelo jeito, o ciclismo, assim como outros esportes, ainda precisam esclarecer muita coisa oculta por detrás de paredes finas em garagens…